terça-feira, 16 de agosto de 2011

Experiência Analítica: por que ir a um psicanalista?


O texto abaixo foi escrito pela psicanalista Vanilda Maria Macêdo Mandelli, especialista em Teoria Psicanalitica e Sexualidade. vanildamacedo@yahoo.com.br



Experiência Analítica: por que ir a um psicanalista?



Muitas são as questões que habitam a mente das pessoas que já leram, ouviram falar ou souberam da existência da psicanálise. E muitas destas questões fantasiam, distorcem, levam à descrença sem fundamento ou instiga o indivíduo a procurar saber o que é a psicanálise e como ela pode ajudar.

Proponho-me aqui, à minha maneira, esclarecer tais questões, na tentativa de tornar os benefícios do trabalho de análise mais acessíveis, com informações básicas e não distorcidas sobre a possibilidade de melhor qualidade de vida a partir de uma experiência analítica.

Todos têm, em certa medida, problemas existenciais, que nos causam angústias, nos dividem e nos fazem desacreditar na alegria de viver. Alguns, como herança do passado e dos ensinamentos aprendidos na vida; outros, por dificuldades em se adaptar às mudanças que viver em sociedade os obriga e impõe, ou até mesmo os que se sentem confrontados com a sempre temida incerteza sobre o amanhã. Pessoas comuns que padecem de problemas de fundo emocional, em todos os níveis e graus e de tipos e origens os mais diferentes.

Há os que conseguem superar os problemas de sua existência. A maioria, entretanto, não o consegue e necessita, então, de alguma ajuda para encontrar o equilíbrio consigo mesmo e com a vida – diante dos problemas de todo dia.

Em meu entender, todo indivíduo que se propõe a buscar ajuda de ordem analítica já iniciou, de algum modo, seu processo de readequação à realidade, de reaprendizado de vida, de busca de si mesmo e de melhoria de suas relações com os outros, pois a experiência analítica facilita ao paciente o desenvolvimento de uma base emocional mais sólida, proporcionando-lhe viver e atuar adequadamente em cada situação da vida.

Na experiência analítica, o paciente deve estar ciente de que, antes de qualquer outa pessoa, ele precisa querer mudar e resolver aquilo que o incomoda. Igualmente importante é entender que o sofrimento psíquico não é algo que se resolve da noite para o dia, o que exige dele muita paciência e persistência.

A experiência analítica tem como finalidade, também, auxiliar as pessoas no autoconhecimento, possibilitando alterar os comportamentos que provocam seu sofrimento.

Por essas razões, procurar um profissional pode ser uma alternativa em busca de compreender melhor as situações que vêm vivenciando podendo buscar caminhos diferentes a seguir. Pois não se pode mudar a maneira de viver, sem modificá-la por outra.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Quando a mulher quer sexo: como o homem responde?

O Texto abaixo foi escrito pelo Professor e Psicólogo Oswaldo M. Rodrigues Jr. (CRP 06/20610), Diretor do Instituto Paulista de Sexualidade – InPaSex, organizador do livro “Aprimorando a Saúde Sexual” (Summus Ed., São Paulo, 2011, 2ª edição); e-mail oswrod@uol.com.br


A expressão do desejo sexual da mulher é importante para o relacionamento afetivo conjugal. Se uma mulher não se expressa quando tem ou deixa de ter desejo ela diminui a efetividade de comunicação do casal. Um aspecto importante a ser considerado na expressão do desejo sexual feminino é que ele faz parte do processo de erotização do homem, aumentando a ligação entre homem e mulher no sentido sexual.

 Em nossa cultura as mulheres são ensinadas a não mostrar quando tem desejo sexual e não mostrar a quantidade de desejo que lhe é sentido. Ainda, em nossa cultura, as mulheres mesmas se referem por adjetivos negativos quando expressam desejo de modo deliberadamente sexual.

 A identidade de gênero feminina e o papel social de ser mulher são carregados de elementos que determinam como a mulher deve ser e se portar, limitando a expressão do desejo sexual para as mulheres. Isto implica em mulheres que consideram ser negativa a expressão do desejo, que elas não deveriam fazer isso e muitas reafirma, e mesmo verbalizadamente, que o papel de expressar desejo é do homem, fazendo-os menos homens se não tomarem as iniciativas… convenções sociais assimiladas pelos indivíduos.

Claro que existem casais onde a mulher toma iniciativa e contribui com a frequência coital do casal!

Quando nos referimos a desejo sexual, dar a entender sempre cria malestares! O caminho de achar que mostrou, mas não foi explícita é sempre doloroso para ambos.

Ser expressa, verbalizar de modo assertivo, sem hostilizar é o melhor meio e o mais eficaz, pois de modo afirmativo não demonstra qualidades negativas nem responsabilidades do outro.

Ir direto ao assunto faz parte do comportamento assertivo. O comportamento assertivo apresenta a forma melhor da necessidade de uma pessoa de modo a ser ouvida e compreendida pela outra pessoa.

O comportamento assertivo sempre considera a necessidade conjugada e as limitações da outra pessoa.

O desejo sexual de uma pessoa sempre será limitado e prejudicado por uma série de eventos externos e internos. O desejo sexual existe sempre, mas é impedido de aparecer o tempo todo. Assim se construiu a civilização e a realidade humana externa. Coexistir com estas questões é ser humano!

Compreender que o outro pode não querer a mesma coisa na mesma hora é uma habilidade que nem todas as pessoas desenvolveram e muitas nunca desenvolverão, seja por incapacidade, seja por considerarem-se acima dos outros, delegando aos outros a função de satisfazerem as necessidades que demandam.

Aprender a lidar com a frustração da outra pessoa não querer o que neste momento desejamos é uma demonstração de maturidade e adequação.

Expressar diretamente o desejo e ouvir do homem que naquele momento não é viável, ele não quer, ele não pode, ou qualquer explicação que seja, exige a habilidade de administrar a frustação a ser sentida e guardar o desejo para um momento mais propício.

O homem pode não estar disponível naquele momento, as a demonstração do desejo por parte da mulher provavelmente fará parte do desejo dele nas horas e dias subsequentes. Portanto, expressar sempre será benéfico.

Uma comunicação fluida, constante, assertiva, direta, afetiva e efetiva é necessária para que o casal encontre como viver uma situação sexual conjugando os momentos de desejo de ambos. E não só de momentos de desejo, mas também de quantidades de desejo e formas de desejo sexuais!

Os homens são treinados para ter o controle e nem sempre saberão o que fazer se a mulher tentar controlar a situação sexual por iniciativa própria. Portanto, conversar antes é algo que permite o homem preparar-se e não ser tomado de surpresa, o que provavelmente estragaria o desempenho sexual deste homem.

A interação de um determinado casal determinará se a mulher pode tomar iniciativas sem prejuízos para ambos. Como saber disso? Perguntando, questionando, verificando se podem ter este comportamento e se podem experimentar se este formato funciona para este casal!

Assim, combinados podem chegar a conclusões de poderem usar esta ou aquela forma de expressão do desejo sexual.

Sexo se faz a dois!

Então ambos devem saber do que se trata e terem confirmados os direitos de querer fazer ou não!