terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O VÍCIO DE CELULAR E A COMPULSÃO NA PSICANÁLISE


"A compulsão é resultado de um conflito psíquico e de uma luta subjetiva entre duas funções opostas, estando o sujeito impossibilitado de escolher. Basicamente, por se tratar de um comportamento compulsivo, os pensamentos ou atos que a pessoa realiza lhe parecem um corpo estranho de uma força incontrolável." www.fasdapsicanalise.com.br


Quando se aborda o termo COMPULSÃO, é comum recorrer-se ao texto de Freud de 1914 denominado "Recordar, Repetir e Elaborar". A partir deste texto, Freud vai desenvolvendo os seus conceitos sobre compulsão à repetição e o termo vai assumindo uma importância clínica muito grande. Transportando esse conceito para a atualidade, pode-se afirmar que o sujeito moderno é um sujeito compulsivo.

A  noção sobre a compulsão, irá assumir um papel fundamental para a Psicanálise a partir de um texto escrito por Freud em 1920 quando publica seu trabalho chamado "Além do Principio do Prazer", onde se estabelece a diferença entre o principio do prazer (Pulsões de Vida) e o processo compulsivo estimulado pelas Pulsões de Morte.

Outro conceito importante para a Psicanálise é a diferenciação de "falta" e de "vazio". Segundo Lacan a falta vai produzir um desejo e o vazio (furo) vai produzir uma busca de uma satisfação através da compulsão.



Todos os mamíferos são dotados de instintos (sobrevivência e perpetuação da espécie) que são uma programação biológica que possui objetos determinados para suas satisfações. O instinto de sobrevivência (sede e fome) só pode ser satisfeito com água e o animal como para "matar" a fome. O instinto sexual só se manifesta no macho quando a fêmea da especie está no cio.  

Nós seres humanos fomos deturpados pela capacidade de falar e os nossos instintos se transformaram em pulsões. Freud (1916) define pulsão como um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam no corpo - dentro do organismo - e alcança a mente, como uma medida da exigência feita à mente no sentido de trabalhar em conseqüência de sua ligação com o corpo.Essas pulsões tem origem nas zonas erógenas do corpo(olhar, anal, oral e voz)  buscam a satisfação e essa satisfação é que origina as compulsões.

Existem várias compulsões, todas ligadas à sensação de vazio e às zonas erógenas. Os alimentos, drogas ilícitas, drogas licitas, pornografia, aparelhos celulares, compras, televisão, etc..

A Psicanálise irá atuar no tratamento das compulsões basicamente de duas maneiras. A primeira é na investigação das causas que conduziram à satisfação, de modo a compreender o que está por trás das práticas adotadas pelo indivíduo e a segunda, através de resignificação desta satisfação obtida pela pulsão.

domingo, 22 de dezembro de 2019

O CIÚME NOS RELACIONAMENTOS AFETIVOS






A Psicanálise se ocupa com ciúme desde o seu inicio. No texto escrito em 1922, "Alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na paranoia e no homossexualismo", Freud afirmou  que este afeto humano  pode ter três aspectos: o ciúme normal, o projetado e o delirante. 

O ciúme normal: 

Freud afirma que essa é uma dor muito dolorosa que ela é causada pela perda do objeto amado, assim como também uma ferida narcísica, e também pela fantasia da presença de um(a) rival sempre mais forte e potente. Embora esse ciúme seja visto como normal, ele não é completamente racional, sua raiz está no inconsciente é uma continuação das primeiras manifestações emocionais da criança ante do complexo de Édipo ou do complexo de Intrusão onde a chegada de um irmão ou uma irmã, reedita a sensação da perda do lugar especial que ocupava na relação simbiótica com a mãe


O ciúme projetado: 

Para Freud esse tipo de  ciúme é derivado, tanto no homem quanto na mulher do seu próprio desejo de infidelidade na vida real ou de seus   impulsos.   Segundo Freud a fidelidade tem um preço que é as constantes  tentativas de infidelidade. Consideradas toda essa pressão, o sujeito busca a absolvição da sua consciência, projetando seus próprios impulsos  de infidelidade no companheiro ou na companheira a quem se deve fidelidade.







O ciúme delirante: 

Segundo Freud o ciúme delirante tem sua origem na busca dos desejos reprimidos de fidelidade, mas o objeto nesses casos, é o mesmo sexo do sujeito. O ciúme delirante é o que resta de um homossexualismo que cumpre o seu curso e que "corretamente toma sua posição entre as formas clássicas de paranoia". Segundo Freud o sujeito se defende do impulso homossexual desta forma,"eu não eu amo é ela(e) que o(a)  ama." 

Com a continuidade de seus trabalhos de pesquisa junto ao seus pacientes, Freud volta a abordar o assunto em um texto de 1922 com o titulo "Sobre alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na paranoia e na homossexualidade":
"Sobre o ciúme normal há pouco a dizer do ponto de vista analítico. É fácil perceber que ele é basicamente composto pelo luto, pela dor da perda do objeto de amor que se crê perdido e pela ofensa narcísica, na medida em que ela pode ser distinguida das outras; além disso, por sentimentos hostis contra o rival favorecido e pelo maior ou menor grau de autocrítica, que responsabiliza o próprio Eu pela perda de amor. Esse ciúme, mesmo que o chamemos de normal, não é de forma alguma racional, isto é, oriundo de vínculos atuais, proporcionais às efetivas circunstâncias e inteiramente dominado pelo Eu consciente, pois ele está profundamente arraigado no inconsciente, prolonga as mais antigas moções da afetividade infantil e nasce do complexo de Édipo ou do fraternal do primeiro período sexual".