segunda-feira, 25 de maio de 2020

VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR


        Violência segundo o dicionário é um substantivo feminino que significa a qualidade do que é violento, é também, o efeito ou a ação de empregar a força física ou intimidação moral contra alguma pessoa, objeto ou animal. Sabe-se que a violência dentro do âmbito familiar pode se dar através da força física, abuso sexual, abuso emocional, negligencia, abandono e maus-tratos.

        A violência que ocorre no âmbito familiar, é chamada de INTRAFAMILIAR, é corresponde à toda ação ou omissão que ameace a integridade física, emocional, a liberdade e o o desenvolvimento de membro da família. Este conceito não está somente ligado ao espaço físico nem aos laços de consanguinidade entre as pessoas, mas também em qualquer outro lugar que possa acontecer.





domingo, 29 de março de 2020

"REMÉDIO NÃO CURA PENSAMENTO"


Pensei em ler a biografia de Freud com 815 páginas neste período de quarentena, mas ontem fui até o consultório e encontrei o livro que havia comprado há algumas semanas. Movido pela curiosidade, comecei a folhear e a medida que lia fui ficando "preso". Esta postagem é composta de pedaços do texto escrito pela Psicanalista e Psiquiatra Dra. Silvia Disitzer com o mesmo titulo desta postagem.



Silvia Disitzer, Psicanalista membro da Escola Letra Freudiana e médica psiquiatra no Instituto Municipal  Philippe Pinel.



"A tarefa clínica nos coloca em contato com o relato do sujeito e seu sofrimento. Desde o início de minha prática clínica, nos ambulatórios da faculdade de medicina, chamava a atenção o fato de que, mesmo frente à inexperiência de estudante, os pacientes retornavam e retomavam do mesmo ponto as questões que haviam relatado da última vez. E também a constatação de que uma escuta atenciosa favorece a melhora clínica, o tratamento e a cura."

"É assim que venho consolidando uma forte impressão, de que remédio não trata pensamento, ideia que insistiu e me instigou a uma reflexão mais aprofundada. A diferença entre a prática psiquiátrica e a clínica psicanalítica é abismal, sendo quase sempre incompatível exercê-las ao mesmo tempo no mesmo caso. E isso vale tanto nos casos de neurose como nos de psicose."

"A palavra do paciente, obstáculo maior para a objetivação do ‘transtorno psiquiátrico’, fica eliminada da série com o advento do terceiro DSM, de 1980, com a declaração triunfal de que já não existem as neuroses. Assim vai se construindo uma base de categorização em que a psicodinâmica vai sendo abandonada em favor do modelo biomédico. É dessa forma que fica substituída definitivamente a noção de neurose por “transtorno de ansiedade”."

"A tarefa clínica nos coloca em contato profundo com o sofrimento do sujeito. Desde o início da minha formação, ainda nos ambulatórios da faculdade de Medicina, me chamava a atenção um fato recorrente: aquilo que era enunciado pelo paciente sobre a sua situação e os seus sintomas tinha mais efeito sobre a evolução de seu quadro do que a informação que recebíamos dos resultados dos exames ou dos procedimentos realizados.Tornou-se evidente que uma escuta atenciosa é fundamental para a melhora clínica, o que me levou posteriormente à psiquiatria e à psicanálise, não necessariamente nesta ordem."

"Com os anos, fui percebendo que a diferença entre a prática psiquiátrica e a clínica psicanalítica é abismal. O psiquiatra identifica a doença de seu paciente e acredita saber qual o remédio certo para tratá-la. Já o psicanalista, ao escutar o sujeito,opera sobre matéria bem mais sutil, a cadeia de seus pensamentos, e se coloca a tecer os fios que possam levar seu paciente a tomar as rédeas de sua própria vida."

"Seja pela pressão da indústria farmacêutica, seja pela necessidade de criar indivíduos funcionamentes, o fato é que a sociedade contemporânea recorre cada vez mais a remédios numa busca rápida e, por vezes, fantasiosa de uma "cura" para a mente. É inquestionável que algumas substancias psicoativas têm eficácias específicas comprovadas. Os neurolépticos, por exemplo, agem sobre desordem psicótica aguda e, os antidepressivos, melhoram o ânimo e combatem a irritabilidade."

"No que diz respeito ao uso dos medicamentos, tenho verificado a enorme variação de ocorrências, seja em relação aos efeitos esperados ou desejados como também em relação aos efeitos colaterais e ainda alguns inesperados.É preciso mencionar também o enorme efeito de sugestão que percebemos ao prescrever uma medicação, especialmente se essa prescrição está acompanhada de uma escuta analítica. Esse efeito é eventual,ente mas evidente do que o efeito esperado do medicamento, exercendo considerável influência sobre o resultado clínico final."