sexta-feira, 1 de outubro de 2021

A Gênese do Aparelho Mental e as Fantasias

Artigo científico escrito e publicado na Revista Imperium da Emil Brunner World University - Flórida USA



Resumo

 

É encontrado na atualidade, um número cada vez maior de terapeutas que defendem a terapia de família ou de casal, sob o ponto de vista holístico, que abrange uma compreensão psicanalítica com outra sistêmica e outra cognitiva. Este trabalho tem como objetivo abordar a teoria psicanalítica da Gênese do Aparelho Mental, das Fantasias e suas implicações na terapia de casal. Parte-se da análise da gênese do aparelho mental analisado com suporte teórico em de Sigmund Freud e Melaine Klein, enfoca-se os instintos e as pulsões humanas. Enfatiza-se ainda o papel das fantasias no primeiro momento do encontro amoroso, procurando estruturá-lo a partir das fantasias inconscientes do bebê e da fusão narcísica inicial da criança e sua mãe. São abordados também: o desenvolvimento libidinal, as posições (estruturas) definitivas da organização da personalidade humana, os complexos de Édipo e Castração, todos assuntos que são base teórica para a compreensão dos vínculos que se formam entre sujeitos que decidem iniciar uma nova família. A metodologia utilizada neste trabalho foi a bibliográfica. Pode-se concluir que parte das mulheres, a vontade de ser protegida e ter filhos é um exercício desde menina. Quando cresce aspira a ser protegida pelo marido. Para os moços, a expectativa é ser acolhido num ninho de compreensão e amor. Acredita poder realizar todos os sonhos levantados nas brincadeiras de casinha. Com isto ocorre aqui um grande choque entre sonhos e realidade. Os ideais muitas vezes acabam atrapalhando o entendimento do casal.

 

Palavras-chave: Abordagem Psicanalítica; Aparelho Mental; Fantasias; Terapia de casal.

 

1 Introdução

 

Há milhares de anos se discute sobre o amor e o casal. Estes temas sempre foram explicitados em livros, músicas e nas artes. Os tempos atuais colocam no centro das discussões a família, casamentos heteroafetivos e homoafetivos, divórcios, recasamentos, com isto a família dentro dos modelos tradicionais praticamente se existe mais. Apregoasse aos quatro ventos que a família está em crise.

Um dos campos mais promissores da psicoterapia é aquele que tem a família como objeto de estudos. Hoje existe uma substanciosa literatura referente essa temática, provinda de distintas correntes da Sociologia, da Psicologia, da Psicanálise e outras, com os respectivos seguidores denominados os terapeutas de família. Nas correntes psicologica e psicanalítica têm-se o Modelo Sistêmico, a Terapia Familiar Estrutural, a Terapia Estratégica Breve o Grupo De Milão e a Abordagem Psicanalítica. Não é o objeto deste trabalho esmiuçá-las, mas sim de aprofundar a abordagem psicanalítica no seu aspecto vincular. Especificamente as ligações que se estabelecem entre um homem e uma mulher numa relação conjugal.

Cada uma das correntes mencionadas segue os seus próprios referenciais teóricos e técnicos, com abordagem técnicas e táticas bastante distintas entre si. Os princípios psicanalíticos estão mais dirigidos aos diversificados tipos de conflito que procedem do inconsciente dos indivíduos e dos grupos. Os sistêmicos, por sua vez, privilegiam o funcionamento de um casal ou família, sob o enfoque de um sistema, e isto é, esses terapeutas trabalham um nível mais próprio do consciente e ficam mais voltados para permanente interação que sempre existe entre todos os integrantes de uma família, com uma determinada ocupação de lugares e de papéis, por parte de cada um deles, de sorte que cada um influencia e é influenciado pelos demais.

A psicanálise, como sendo uma forma de reflexão e prática, tenta compreender e estabelecer a maneira como se opera esta díade homem-mulher, fundamentada na interação de desejos e necessidades de cada um dos parceiros. Entra em cena para esclarecer o que está por trás dos ornamentos do imaginário.

Este trabalho visa basicamente abordar certos elementos que podem ser encontrados no decorrer da prática clínica psicoterápica de casais de base psicanalítica. Nele pretende-se identificar e discutir alguns aspectos específicos à dinâmica do casal, pelo qual inicia-se uma família.

A proposta deste estudo vai além da tentativa de dissertar sobre o encontro amoroso, vai dizer da possibilidade ou da impossibilidade de manutenção deste primeiro momento, desta ilusão de completude, deste amor esférico. Propõe-se aqui, pensar na díade sujeito-sujeito e no amor. Para tanto, o estudo irá direcionar-se para o questionamento do que possibilita o encontro amoroso e inferir sobre o que desencadeia o desencontro.

Este trabalho tem como objetivo abordar a psicanalítica da gênese do Aparelho Mental, das Fantasias na terapia de casal

O tipo de pesquisa realizado neste trabalho foi uma pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa e descritiva, no qual foi realizada uma consulta à livros, dissertações e por artigos científicos selecionados através de busca nas seguintes base de dados (livros, sites de banco de dados, etc.) “Biblioteca da FGV”, “Google acadêmico” e “Scielo”.

 

2 A gênese do aparelho mental

 

O sujeito não pode ser considerado como um produto exclusivo de seu meio, tal como um aglomerado dos reflexos condicionados pela cultura que o rodeia e despido de qualquer inspiração mais nobre de sentimentos e vontade própria. Não pode, tampouco, ser considerado um punhado de genes, resultando numa máquina programada a agir desta ou daquela maneira, conforme teriam agido exatamente os seus ascendentes biológicos. Se assim fosse, passaria pela vida incólume aos diversos efeitos de suas vivências pessoais. Sensatamente, o sujeito não deve ser considerado nem exclusivamente ambiente, nem exclusivamente herança, antes disso, uma combinação destes dois elementos em proporções completamente insuspeitadas.

Para a fundamentação deste trabalho será usada parte da teoria de Sigmund Freud, por ser, além de básica, também considerada a mais ampla e profunda. Também serão abordadas partes das teorias de alguns seguidores, principalmente Melaine Klein, que se destacou pela análise de crianças e W. Bion, renomado cientista do psiquismo de grupos.

 

As ações e opiniões conscientemente expressas são, em geral, suficientes para a finalidade prática de julgar o caráter dos homens. As ações merecem serem consideradas antes e acima de tudo, pois muitos impulsos que irrompem na consciência são ainda reduzidos a nada pelas forças reais da vida anímica, antes de amadurecerem sob a forma de atos. Com efeito, tais impulsos muitas vezes não encontram nenhum obstáculo psíquico a seu progresso, exatamente porque o inconsciente tem certeza de que serão detidos em alguma outra etapa. De qualquer modo, é instrutivo tomar conhecimento do terreno tão revolvido de onde brotam orgulhosamente nossas virtudes. É muito raro a complexidade de um caráter humano, impelida de um lado para outro por forças dinâmicas, submeter-se a uma escolha entre alternativas simples, como levaria a crer nossa doutrina moral antiquada (Freud, 1987, p. 25).

 

Existe entre a grande maioria dos estudiosos da gênese da mente humana, a concordância que no processo de constituição do sujeito participam dois aspectos desiguais: o primeiro está baseado nos vínculo de parentesco que definem uma família e compreende o casal de tipo conjugal, constituído pelos que se tornarão os pais, assim como os filhos, os irmãos e outros parentes significativos (cultura); O segundo é formado pelas relações sociais e extrafamiliares, relações singulares ou gerais e indistintas que são as raízes inconscientes da pertença social, da ideologia, dos valores decorrentes da posição social e econômica, cujos significados traspassam o EU e a família.

Ao longo de todo século vinte, vários pontos desenvolvidos pela Psicanálise foram comprovados, entre eles que o psiquismo tem a capacidade de registrar as inscrições pertinentes às experiências de relações significativas, quer estas sejam precoces, remontando à infância, ou mais tardias, datando da adolescência, e que se refletiram na constituição do casal, da família, dos laços amorosos e outros. Todas essas experiências primitivas correspondem ao momento inaugural ou um ponto a partir do qual o Eu, através desse vínculo, adquire como sujeito uma qualidade que não tinha antes.

Durante mais de cem anos de pratica clínica individual, a Psicanálise tem se caracterizado pelo estudo das representações e dos afetos governados pela diretriz do principio do prazer, dos derivados e dos vestígios e inscrições das experiências precoces, aquelas mesmas que imprimiram suas marcas no aparelho psíquico e contribuíram para a construção do mundo interno deste indivíduo.

O Eu, mesmo imaturo, é exposto à ansiedade provocada pela polaridade inata dos instintos de vida e de morte. Para fazer frente a esta ansiedade persecutória, lança mão de defesas primitivas, a negação, a divisão (spliting), a projeção e a introjeção. Estas defesas são ativas mesmo antes do surgimento do recalque.

Melaine Klein viu que “as crianças pequenas, incitadas pela ansiedade, estavam constantemente tentando dividir (split) seus objetos e seus sentimentos, e tentando reter sentimentos bons e introjetar objetos bons, ao passo que expeliam objetos maus e projetavam sentimentos maus” ( SEGAL,1975, p.36).

O Eu durante seu desenvolvimento trabalha dentro de duas estruturas, também chamadas posições, termo este introduzido por Melaine Klein. Estas posições mostram um conjunto de fenômenos mentais como: o tipo de ansiedade predominante; os mecanismos de defesa utilizados para dominar esta mesma ansiedade; as pulsões em jogo; as características dos objetos que estão contidos neste conjunto; as fantasias psíquicas; os pensamentos e sentimentos do sujeito. Todos estes fenômenos fazem parte de um processo único no qual nenhum deles pode ser considerado de forma independente dos outros.

O SUPEREU é a integração das forças repressivas que o indivíduo  encontra no decurso de seu desenvolvimento, isto é, sua criação se realiza a partir das pressões da sociedade. O SUPEREU é o responsável pelo desenvolvimento da consciência moral, da auto-observação, da formação dos ideais, etc.

A atividade do SUPEREU se manifesta de várias maneiras, a fim de poder reger as atividades do EU. A atividade do SUPEREU também se evidencia nos conflitos com o EU, principalmente na de dar origem, dentro do EU, do sentimento de culpa, de remorso, ou a um desejo de penitenciar-se ou de fazer reparação.

O SUPEREU é formado a partir da identificação da criança com o genitor do mesmo sexo, o que ocorre ao solucionar-se o complexo de Édipo. É o momento em que o indivíduo integra à sua personalidade aquilo que crê sejam os princípios básicos e ideais dos seus pais. É nesse momento, que se desenvolve um autocontrole, que será o substituto do controle parental. O sujeito só se torna socialmente responsável pela força do SUPEREU.

 

2.1 Complexo de Édipo

 

Dada à importância deste processo na estruturação da personalidade do sujeito e consequentemente na compreensão das buscas inconscientes no processo de apaixonamento é necessário definir o complexo de Édipo.

 

Conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança sente em relação aos pais. Sob a sua forma dita positiva, o complexo de Édipo apresenta-se na história de Édipo-Rei: desejo da morte do rival que é a personagem do mesmo sexo e desejo sexual pela personagem do sexo oposto. Sob sua forma negativa, apresenta-se de modo inverso: amor pelo progenitor do mesmo sexo e ódio ciumento ao progenitor do sexo oposto. Na realidade, essas duas formas encontram-se em graus diversos na chamada forma completa do complexo de Édipo. Segundo Sigmund Freud, o apogeu do complexo de Édipo é vivido entre os três e os cinco anos, durante a fase fálica; o seu declínio marca a entrada no período de latência. É revivido na puberdade e é superado com maior ou menor êxito num tipo especial de escolha de objeto. O complexo de Édipo desempenha papel fundamental na estruturação da personalidade e na orientação do desejo humano. Para os psicanalistas, ele é o principal eixo de referência da psicopatologia; para cada tipo patológico eles procuram determinar as formas particulares da sua posição e da sua solução. A antropologia psicanalítica procura encontrar a estrutura triangular do complexo de Édipo, afirmando a sua universalidade nas culturas mais diversas, e não apenas naquelas em que predomina a família conjugal” (Laplanche & Pontalis 1998, p. 77).

 

Assim, o complexo de Édipo é uma configuração psíquica que surge num certo período de desenvolvimento da criança e, posteriormente, diminui. Esta fase possui várias formas, que quando estudadas profundamente, são derivadas de duas principais. O complexo de Édipo clássico e o complexo de Édipo invertido. Na forma invertida ocorre o desenvolvimento do ódio pela mãe e amor pelo pai.

No modelo dito clássico, o menino se identifica com o pai, logo passa a desejar o amor da mãe; esta lhe é “proibida”, não tanto como objeto sexual, mas como figura portadora de amor condicional, ou seja, aquela cuja posse afetiva, daria ao menino todos os poderes, tornando-o privilegiado, isento de limites e alguém não sujeito à jurisdição das leis. O menino encara a mãe como sua propriedade, procurando tornar-se sujeito absoluto, expulsando o pai de seu lugar junto à figura materna. Porém fracassa porque ninguém pode ser tudo para outro sujeito, e um dia descobre que ela (a mãe) transferiu seu amor e sua solicitude para um outro homem (o marido da mãe).

 

A reflexão deve aprofundar nosso senso da importância dessas influências, porque ela enfatizará o fato de serem inevitáveis experiências aflitivas desse tipo, que agem em oposição ao conteúdo do complexo. Mesmo não ocorrendo nenhum acontecimento especial tal como os que mencionamos como exemplos, a ausência da satisfação esperada, a negação continuada do bebê desejado, devem, ao final, levar o pequeno amante a voltar as costas ao seu anseio sem esperança. Assim, o complexo de Édipo se encaminharia para a destruição por sua falta de sucesso, pelos efeitos de sua impossibilidade interna (Freud, 1997, p. 37).

 

Nas meninas, segundo Freud (1924), o complexo de Édipo possui um problema a mais do que os meninos. A menina considera-se como o objeto que seu pai ama acima de tudo o mais. Segundo os estudos elaborados, em ambos os casos, a mãe é o objeto original da criança, mas a menina deve transferir este processo para o pai. Isto ocorre através da percepção que ela não possui um pênis  e deseja tê-lo.

Freud (1925, p. 283) diz em seus escritos:

 

Nas meninas, o complexo de Édipo levanta um problema a mais que nos meninos. Em ambos os casos, a mãe é o objeto original, e não constitui causa de surpresa que os meninos retenham esse objeto no complexo de Édipo. Como ocorre, então, que as meninas o abandonem e, ao invés, tomem o pai como objeto? Perseguindo essa questão pude chegar a algumas conclusões capazes de lançar luz exatamente sobre a pré-história da relação edipiana nas meninas.

 

O desenvolvimento da eleição de objeto pela menina é algo diferente, pois nela o complexo de castração vem antes do complexo de Édipo. O medo da castração é substituído pela inveja do pênis, o que resulta num afastamento da mãe, que também não possui um, e numa aproximação com o pai que o possui.

 

2.2 Complexo de castração

 

O conceito de castração em Psicanálise designa uma experiência psíquica completa, inconscientemente vivida pela criança por volta dos cinco anos de idade, e decisiva para a absorção de sua futura identidade sexual. Além de ser o caminho para a solução de importante fase da vida do indivíduo, que é o complexo de Édipo, a castração também é decisiva no estabelecimento de algumas perversões.

 

Complexo centrado na fantasia de castração, que proporciona uma resposta ao enigma que é a diferença anatômica dos sexos (presença ou ausência de pênis) coloca para a criança. Essa diferença é atribuída à amputação do pênis na menina. A estrutura e os efeitos do complexo de castração são diferentes no menino e na menina. O menino teme a castração como realização de uma ameaça paterna em respostas às suas atividades sexuais, surgindo daí intensa angústia de castração. Na menina, a ausência do pênis é sentida como dano sofrido que ela procura negar, compensar ou reparar (Laplanche & Pontalis, 1998, p. 73).

 

O menino supera o complexo de Édipo através do complexo de castração, enquanto a menina desenvolve o complexo de Édipo por causa do complexo de castração. O menino enfrenta a fase da castração com resistência ativa e destruição do complexo de Édipo, enquanto a menina torna-se passiva, aceita a perda do pênis e desenvolve o complexo de Édipo. O aspecto essencial dessa experiência consiste no fato de que, pela primeira vez, a criança reconhece, ao preço da angústia, a diferença anatômica entre os sexos.

Na menina, o complexo de castração organiza-se de maneira muito diferente do desenvolto na criança do sexo masculino, a despeito de dois traços comuns. O ponto de partida de ambos a princípio é semelhante; num primeiro estágio, que identificaremos como anterior ao complexo de castração, os meninos e as meninas sustentam, indistintamente, a ficção que atribui um pênis a todos os sujeitos. O segundo traço comum refere-se à importância do papel da mãe. A mãe, mesmo com todas as variações da experiência masculina e feminina da castração, continua a ser personagem principal até o momento em que o menino se separa dela – com angústia e a menina – com ódio. Quer seja marcado pela ansiedade ou marcado pelo ódio, o acontecimento principal do complexo de castração é, sem sombra de dúvida, a separação entre a criança e a mãe, no exato momento em que a primeira (a menina) a descobre (a mãe) castrada. Nunca é demais enfatizar que estes afetos são sentidos ao nível inconsciente, e são sentidos de uma forma difusa e ambivalente.

Embora a menina jamais deixe de estar ligada afetivamente ao pai e várias escolhem maridos parecidos com os pais, quando adulta ansiar por um filho. É  neste particular que a mulher pode chegar à plenitude da sua feminilidade superando o complexo de castração.

 

Agora, porém, sua aceitação da possibilidade de castração, seu reconhecimento de que as mulheres eram castradas, punha fim às duas maneiras possíveis de obter satisfação do complexo de Édipo, de vez que ambas acarretavam a perda de seu pênis — a masculina como uma punição resultante e a feminina como precondição. Se a satisfação do amor no campo do complexo de Édipo deve custar à criança o pênis, está fadado a surgir um conflito entre seu interesse narcísico nessa parte de seu corpo e a catexia libidinal de seus objetos parentais. Nesse conflito, triunfa normalmente a primeira dessas forças: o ego da criança volta as costas ao complexo de Édipo (Freud, 1925, p. 280).

 

A Psicanálise focaliza seus estudos e sua atenção nos aspectos familiares da formação do psiquismo humano a partir das chamadas experiências primitivas. Todos vínculos significativos do sujeito, sem exceção, têm um ponto de partida. Tal ponto pode constituir para ele um primeiro momento uma vez que, no plano de sua subjetividade, sobrevém algo de novo, ou seja, algo que não tinha sido inicialmente considerado. A partir do momento e na medida em que essa experiência deixa vestígios, o Eu, que é o sujeito do vínculo, inscreve nele algo que não existia antes e que o modifica. Torna-se um sujeito outro, o que não estava previsto na origem.

 

2.3 Instintos e pulsões e suas diferenças

 

A conceitualização das forças originárias do ISSO, as pulsões, fazem-se necessárias. Assim:

 

Instinto é o esquema de comportamento herdado, próprio de uma espécie animal, que pouco varia de um indivíduo para outro, que se desenrola segundo seqüência temporal pouco suscetível de alterações e que parece corresponder a uma finalidade. É também um termo usado por certos autores psicanalíticos (franceses) como tradução ou equivalente do termo freudiano TRIEB, para o qual numa terminologia coerente, convém recorrer ao termo pulsão (Laplanche & Pontalis, 1998, p. 241).

 

Sob o aspecto psicológico é difícil a compreensão completa das pulsões. Elas se situam entre o biológico e o psicológico e podem ser estudados a partir destas duas óticas. Pode-se dizer que a pulsão é um fenômeno biológico que  possui representante psíquico. Impulsos, tendências, desejos e fantasias inconscientes são os representantes psíquicos dos instintos. Estando estes representantes, afetiva e efetivamentente ligados entre si. As pulsões tem como base os instintos (programas biológicos) que são “pervertidos” pela capacidade da fala. Aqui o termo perversão não possui o sentindo pejorativo, mas sim o sentido de mudança, desfiguração ou descaracterização. Em todos os mamíferos (exceto o humano) existem dois instintos que são os de sobrevivência (indivíduo) e o sexual (espécie) que possuem objetos fixos para serem satisfeitos. Os instintos sexuais desencadeiam uma incoercível tendência à união com outro indivíduo, que acaba na criação de mais outro indivíduo. O instinto sexual na espécie animal somente se manifesta quando a fêmea da espécie está no cio. Após a satisfação do instinto, o sujeito se afasta dos objetivos e necessidades e tende ao repouso

Já uma pulsão causa tensões no sistema nervoso central que se propaga pelo organismo como um todo. Ela é de um caráter urgente e irresistível e se renova constantemente. A pulsão representa um estímulo biológico que impele o organismo a ter certas reações.

Em relação a estas reações, têm-se duas origens dos estímulos, uma externa e outra interna. A reação a um estímulo exterior é simples e objetiva, ou ele é aceito e assimilado ou ele é rejeitado através de defesa ou de fuga. Entretanto, quando o estímulo é interior (caso da pulsão) a defesa ou a fuga não são possíveis. A reação mais simples e primitiva a um estímulo é a de desenvolver uma atividade que leva a satisfação do mesmo e que a Psicanálise chama de GOZO.

As pulsões de vida desencadeiam uma incoercível tendência à busca do prazer e fuga do desprazer. A satisfação das pulsões de vida causa estado de prazer. A satisfação de uma pulsão de vida é sempre agradável. (S. Freud In A Repressão)

As pulsões de morte comportam o desejo de retorno ao estado inorgânico, contrapondo-se às pulsões de vida e são de difícil observação, que se faz através de seus representantes, quando são encontrados sujeitos empenhados em processos de autodestruição.

São também representantes dessas pulsões (de morte), as atitudes dita religiosas fanáticas, como autoflagelação, automutilação, além do suicídio, a busca incessante do fracasso, da infelicidade, das situações de risco, etc...

A pulsão de morte é notado no bebê que “devora” o seio materno, na tentativa de incorporá-lo a si; aliás, ele faz o mesmo com partes de seu corpo que são sugadas com avidez. Sigmund Freud denomina esta tendência destrutiva profunda como masoquismo primário. Todo o bebê é assim portador de um narcisismo primário e de um masoquismo primário que se contrapõem.

A pulsão na Psicanálise é a tendência permanente, e em geral inconsciente, que dirige e incita a atividade do sujeito. As pulsões se desdobram em complexos de representações inconscientes que organizam a sexualidade humana e também, funções corporais que não são normalmente consideradas sexuais, como por exemplo, as condutas orais e de excreção. A pulsão é a representante psíquica de uma fonte contínua de excitação proveniente de fontes internas do organismo. Ela está situada entre o limiar do biológico e do mental.

 

Pulsão é o processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética, fator de motricidade) que faz o organismo tender para um objetivo. Segundo Sigmund Freud , uma pulsão tem a sua fonte numa excitação corporal (estado de tensão); o seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional; é no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir a meta (Laplanche &Pontalis, 1998 p. 394).

 

As pulsações parciais se distinguem por suas fontes somáticas. A pulsão se origina em um órgão que é a sede de uma excitação especificamente sexual que é chamado de “zona erógena”. Essa zona erógena de onde provém a pulsão parcial se comporta como um aparelho sexual secundário, podendo usurpar as funções do próprio aparelho genital. As zonas erógenas são: ORAL: alimentos, beijar, chupar, sugar,etc.;  ANAL: apegos a determinados objetos, compulsões por ter “coisas”, etc.; ESCÓPICA: pinturas, esculturas, beleza, corpo, seios, pés, etc.; VOZ: música, sons.

Para Freud, em principio, a pulsão sexual não visa, portanto a servir a genitalidade e a reprodução. Seu alvo na infância e também depois é obter uma certa satisfação que é qualificada, a propósito das perversões ou da pulsão sublimada, pelo termo “gozo”.

A definição de pulsão sexual descrita abaixo dá uma visão globalizante desta intrigante e intrigada carga energética que nos faz tender para um objetivo denominada por Freud de LIBIDO.

De acordo com a fixação da libido nas diversas fases do desenvolvimento humano, divide-se em fase oral, anal e fálica o período pré-genital do desenvolvimento psicossexual do individuo. A oral constitui-se na primeira fase desenvolvida pelo ser humano quando  fora do útero materno, e está relacionada com o a autopreservação.

 

Primeira fase da evolução libidinal, em que o prazer sexual está predominantemente ligado à excitação da cavidade bucal e dos lábios. A atividade de nutrição fornece as significações eletivas pelas quais se exprime e se organiza a relação de objeto; por exemplo a relação de amor com a mãe será marcada pelas relações seguintes: comer e ser comido. Abraham propôs subdividir-se esta fase em duas atividades diferentes. Sucção (fase oral precoce) e mordedura (fase oral-sádica) (Laplanche & Pontalis, 1998, p. 184).

 

Imediatamente após o nascimento, a criança mantém-se totalmente alheia ao mundo exterior; considera-se o centro do mundo, para aprender, mais tarde, que o seio não lhe pertence e que pode ser removido sem o seu consentimento. Sua ligação será feita através da percepção da sensação de saciedade de suas pulsões com o seio materno, primeiro objeto fora de si mesmo (narcisista) que é percebido. Nesta fase, o interesse primário do indivíduo está concentrado na sua boca e o que ela pode realizar, o que instintivamente faz com que ele leve tudo à boca.

 

É obviamente tratado como parte de seu próprio corpo, representando o primeiro “presente”: ao desfazer-se dele, a criaturinha pode exprimir sua docilidade perante o meio que a cerca, e ao recusá-lo, sua obstinação. Do sentido de “presente”, esse conteúdo passa mais tarde ao de “bebê”, que, segundo uma das teorias sexuais infantis, é adquirido pela comida e nasce pelo intestino. A retenção da massa fecal, a princípio intencionalmente praticada para tirar proveito da estimulação como que masturbatória da zona anal, ou para ser empregada na relação com as pessoas que cuidam da criança, é, aliás, uma das raízes da constipação tão freqüente nos neuropatas (Freud, 1987, p. 79).

 

Nas relações objetais (amorosas inclusive), são encontrados efeitos importantes desta fase como, por exemplo, a semente da complexa expressão sadomasoquista quer no nível relacional (dominação-submissão) quer da estruturação da pessoa (autopunição e prazer sádico).

 

2.4 Fantasia

 

“São chamadas normalmente fantasias, ceninhas, historias que se contam, seqüências imaginadas com múltiplas variações das quais se é o herói.” (Desprats-Péquignot, 1994, p. 63).

A presença da fantasia, tal como a concebe a Psicanálise, é inerente à vida psíquica do indivíduo, pois como pode ser observado durante o estudo do sistema inconsciente, sua caracterização ocorre pelo processo primário de pensamento, o investimento libidinal passa de uma representação a outra tentando reencontrar as satisfações perdidas das primeiras experiências.

Segundo Freud (1987) após a introdução do Princípio da Realidade apenas uma espécie de atividade do pensamento permanece livre do teste da realidade, é a atividade do fantasiar.(os dois princípios do funcionamento mental). Segal (1975) afirma que a fantasia é uma das maneiras de capacitar o Eu a sustentar  a tensão sem uma descarga do sistema motor imediata.

Como expressão típica do sistema inconsciente a fantasia inconsciente sempre opera, em algum nível, com os objetos primários e com essa porção da libido insatisfeita que voltou a se carregar por via regressiva. Para o inconsciente não existe diferença se uma experiência é real ou não (fantasia). Para ele uma fantasia sempre se constituirá numa experiência.

 

Roteiro imaginário em que o sujeito está presente e que representa, de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos, a realização de um desejo e, em ultima análise, de um desejo inconsciente. A fantasia apresenta-se sob diversas modalidades: fantasias consciente ou sonhos diurnos; fantasias inconsciente como as que a análise revela, como estruturas subjacentes a um conteúdo manifesto; fantasias originais (Laplanche &Pontalis, 1998, p. 169).

 

As fantasias são numerosas e sujeitas a variações pessoais conforme os acontecimentos reais que lhe deram sustentação. Existem fantasias típicas com as quais o indivíduo, de acordo com sua predisposição, reage a certas experiências. Também existem fantasias para as quais não existe experiência real que lhes dê base. E são chamadas de fantasias primordiais.

As fantasias surgem onde falta uma satisfação real; se uma necessidade do sujeito não for satisfeita por uma experiência real, abre-se o espaço para o surgimento da fantasia. Este surgimento não ocorre aleatoriamente, é sempre determinado através da correspondência à fase de desenvolvimento libidinal na ocasião. Cada fase libidinal possui seu próprio meio de expressão, uma linguagem característica e especifica.

 

3 Resultados e Discussões

 

O ponto de partida do desenvolvimento psíquico é o estado de indiferenciação que o bebê possui com sua mãe. O nascimento marca esta separação e inunda o bebê de sensações nunca sentidas e incapazes de serem indiferenciadas, sendo esta a base para toda ansiedade futura que acompanhará o individuo por toda sua vida. Nesse estágio do desenvolvimento do Eu, os objetos parentais fornecem a assistência imprescindível para a sobrevivência do bebê e por causa disto se transformam em responsáveis pelo prazer e pela dor.

 

No começo da vida pós-natal, o bebê experimenta a ansiedade proveniente de fontes internas e externas. Há muitos anos que sustento a opinião de que a atividade interna do instinto de morte dá origem ao medo do aniquilamento e de que é essa a causa primaria da ansiedade persecutória. A primeira fonte externa de ansiedade pode encontrar-se na experiência do nascimento. Essa experiência segundo Freud, fornece o padrão para todas as situações posteriores de ansiedade, está votada a exercer influencia sobre as primeiras relações do bebê com o mundo externo” (Klein, 1982,  p. 217).

 

O estado de indiferenciação, também conhecido com narcisismo primário, cria no individuo a fantasia originária, ou mito, de retorno ao ventre materno – como forma de abolir toda separação. Essa situação é facilmente encontrada em muitos vínculos amorosos, onde pelo menos um dos dois da parceria desloca o centro de gravidade do seu próprio Eu e o desloca para o outro. Freud chamava esta sensação de sentimento oceânico.

Para Freud, o consciente é somente uma pequena parte da mente, incluindo tudo do que se está ciente num dado momento. O interesse de Freud era muito maior com relação às áreas da consciência menos expostas e exploradas, que ele denominava Pré-Consciente e Inconsciente.

O Inconsciente (Ics) abrange aqueles elementos psíquicos, cuja acessibilidade à consciência é difícil ou impossível. Estes elementos se caracterizam das seguintes maneiras:

a)      São inacessíveis à consciência;

b)      Seu funcionamento se dá através do chamado processo primário (busca do prazer e fuga do desprazer);

c)      Natureza não verbal dos seus resíduos mnêmicos;

d)      Opera de conformidade com o princípio do prazer;

e)      Está relacionada com a vida pulsional;

f)       Seu caráter é infantil, pois alguns dos seus conteúdos são os desejos da infância.

 

Os conteúdos do Inconsciente são de grande importância na determinação da conduta e do pensamento do sujeito, pois eles são representantes das pulsões e sobre elas (pulsões) ocorrem grandes cargas de energia pulsional que induzem, estes representantes a voltarem à consciência através do Pré-consciente.

O Pré-consciente (Pcs) é o sistema no qual o material fica ausente da consciência, mas permanece acessível de uma forma não atualizada. Estes elementos mentais se tornam acessíveis através da concentração da atenção.

O Pré-consciente contém derivados do inconsciente e também armazena impressões do mundo exterior, estando assim ligado à realidade e também ao inconsciente. Seu desenvolvimento ocorre à medida que o indivíduo está constantemente sujeito à influência do ambiente, que o compele a controlar e modificar suas reações. A assimilação de ordens, proibições e o desenvolvimento de habilidades como falar (inicialmente palavras isoladas, depois frases estruturadas) que são internalizadas.

Neste sistema desenvolve-se uma instância especial que exerce a crítica moral e lógica, controlando as tendências que vem do Inconsciente permitindo que algumas delas cheguem a consciência e outras não. O Pré-consciente coincide em parte com a função do SUPEREU.

O Consciente (Cs) é o sistema pelo qual tem-se a percepção de um estímulo. Estes estímulos podem ser externos (sensitivos) e internos (psíquicos e vegetativos). No estado de vigília, o sistema Consciente está voltado para o mundo exterior absorvendo os estímulos, vindos deste exterior, através dos órgãos sensoriais, fazendo com que a pessoa reaja de forma mais ou menos adaptada.

O sistema Consciente é o sistema perceptivo e está intimamente relacionado com a motilidade e a afetividade. O Consciente apresenta uma estreita relação com a realidade, e por isto, opera no chamado princípio do teste de realidade, que é resultante do exame que o EU realiza para perceber se a fonte da experiência psíquica é interna ou externa. “... um órgão sensorial que se localiza no limite entre os mundos interno e externo e serve para a percepção tanto de processos internos (sonhos, fantasias e devaneios) como externos” (Nunberg, 1989, p. 48).

Segundo a Teoria Estrutural, elaborada por Freud (1924), existe a distinção de três sistemas ou instâncias da personalidade humana: o ISSO, o EU e o SUPEREU. O Isso é o sistema original da personalidade. É a fonte e o reservatório de toda energia psíquica. É a energia que impulsiona o sujeito em busca de tudo. Ele procura a resposta direta e imediata ante um estímulo pulsional, sem distinguir entrea realidade e a fantasia. Também não atende ao princípio da realidade, mas sim ao do prazer, não possuindo percepção do tempo ou das razões causais ou lógicas.

Do Isso se originam dois tipos de energia: uma agressiva que vem do instinto de morte inerente ao sujeito, e a outra sexual, chamada de Libido, originada do Eros. Ele é totalmente inconsciente.

O Eu é a parte executiva da personalidade. Possui diferenciação do Isso pela influência do mundo exterior sobre ele. Sua função é a de preservar e adquirir recursos e, por meio destes, se tornar habilitado a administrar as situações decorrentes das demandas do Isso, as reivindicações do Supereu, bem como as reivindicações provindas do mundo exterior.

O modo característico de funcionamento do Eu é através do processo secundário de pensamento, também chamado Princípio de Realidade, que impera na vida de vigília normal das pessoas. É um modo de buscar a satisfação dos impulsos do Isso, mas de uma maneira indireta e avaliando as condições determinadas pela realidade externa presente. Este tipo de pensamento é verbal e se reveste da lógica e objetividade, que são as características do sujeito normal, ajustado e equilibrado.

A primeira posição alcançada pelo bebê no seu desenvolvimento é chamada de esquizoparanóide. Os mecanismos de defesa usados para fazer frente à ansiedade de não fazer mais parte de um todo (mãe-bebê) fornecem o nome a esta posição. O termo “esquizo” se origina do grego significando cisão, corte, divisão. A palavra esquizofrenia significa mente divida. Já o termo paranóide, também do grego, significa um distúrbio de percepção e do conhecimento do sujeito.

A necessidade do bebê de preservar a experiência prazerosa e de rechaçar a dolorosa leva a uma dissociação (clivagem), de modo que, segundo Melaine Klein, toda a qualidade da formação do psiquismo humano gira em torno do seio bom (estruturante) e do seio mau (desestruturante) (Zimerman, 2001).

A segunda posição que é alcançada pelo bebê por volta dos seis meses de idade é chamada depressiva. Esta posição contraria a anterior se caracteriza pela capacidade de integração das partes do sujeito e dos objetos que estão dividas e dispersa devido às projeções. Segundo Zimerman (2001), o atingir plenamente a posição depressiva permite o desenvolvimento no ser humano de: aceitar perdas, algo que é necessário para a formação de símbolos; reconhecer e assumir responsabilidades e de eventuais culpas pelos ataques (mentais) feitos ou que imagina ter feito; concessão de autonomia aos objetos e capacidade de suportar uma separação parcial deles; fazer reparações verdadeiras; capacidade de sentir gratidão pelos que ao ajudaram, ser capaz de integrar aspectos dissociados e ambivalentes; formar símbolos e adquirir a capacidade de pensar.

 

4 Conclusão

 

Todos esperam serem felizes no casamento. Quando apaixonados todos os olhos estão voltados para a pessoa amada. Não é à toa que todos os contos infantis terminam com o encontro daquela que tanto sofreu com o príncipe encantado e finalizam com "e foram felizes para sempre". Como se houvesse um grande desejo de parar o tempo. Por parte das mulheres, a vontade de ser protegida e ter filhos é um exercício desde menina. Quando cresce aspira também a ser protegida pelo marido.

Para os moços, a expectativa é de ser acolhido num ninho de compreensão e amor. Ela acredita poder realizar todos os sonhos levantados nas brincadeiras de casinha, e isto é normalmente reforçado pelos homens que acabam sendo formados para dar conta de tudo, e quando isso  não  ocorre,  se  vêem  desprestigiados.  Com isto ocorre aqui um grande choque entre sonhos e realidade. Os ideais muitas vezes acabam atrapalhando o entendimento do casal.

Ter que lidar com o fato de serem dois sujeitos diferentes sempre é problemático. Quando se está apaixonado, o outro é o bem total, e o Eu nem é merecedor de tanta perfeição. Esse sentimento vem de quando o bebê está com fome e esperneia pelos cuidados e vem a mãe ou sua substituta atendê-lo aliviando a fome e o desespero; isto deixa uma sensação de grande prazer e gratidão para com a mãe, até a próxima mamada, quando tudo vai se repetir.

É importante reconhecer as diferenças entre os componentes do casal seja homo ou heteroafetivo. A diversidade é trabalhosa, mas é muito mais estimulante. O sujeito feminino que tem suas experiências profissionais, seus relacionamentos de amizade, suas idéias, tem muito mais a contribuir no casamento do que aquela que só tem olhos para o parceiro. Quem dá muito, cobra muito. Um sujeito masculino que vibra com as próprias coisas e um feminino que tem varias fontes de satisfação têm mais condições de tornar seu casamento criativo. Porque diferentes são todos.Todos sedentos de amor. Numa situação na qual o amor é tão fundamental, a vida fica insatisfatória e pobre. Insatisfatória porque a bem aventurança da paixão é passageira.

Estados de amor no adulto são necessariamente alternados com insatisfação. A única situação de absoluta dependência do outro que faz bem é aquela do bebê com sua mãe. Não é bom para aquele que depende, nem para aquele que é o  objeto da eleição. Se um dos parceiros tem como único projeto estar colado ao outro, está perdido, porque, mais cedo ou mais tarde vai se dar conta de que são dois e não um só. Se forem iguais é porque um está tendo que abrir mão do que pensa, da própria personalidade. No fundo fazem isso para evitar atritos, acreditam que as discussões desgastam a relação. Isto é péssimo para qualquer relacionamento. Estes  estão apoiados em doutrinas: dá para falar, não dá para falar.

 

Referências

 

Desprats-Péquignot, Chaterine. (1994). O Psicopatologia da Vida Sexual. Campinas – SP: Papirus.

Fenichel, Otto. (1997). Teoria Psicanalítica das Neuroses. São Paulo: Editora Atheneu.

Freud, Sigmund. (1925) Algumas Conseqüências Psíquicas da Distinção Entre os Sexos. Rio de Janeiro.

Freud, Sigmund. (1987). Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago Editores.

Freud, Sigmund. (1997). Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade. Rio de Janeiro: Imago Editores.

Freud, Sigmund. (1924). A Dissolução do Complexo de Édipo Rio de Janeiro: Imago Editores.

Klein, Melaine. (1982). Algumas conclusões teóricas sobre a vida emocional dos bebes - in Os progressos da psicanálise (3ª ed.). Rio de Janeiro: LTC.

Laplanche, J., & Pontalis, J. (1998). Vocabulário de Psicanálise, São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora Ltda.

Nunberg, Herman.(1989). Princípios da Psicanálise. São Paulo: Editora Atheneu.

Segal, Hanna. (1975). Introdução à obra de Melanie Klein - imago editora Ltda. Rio de Janeiro.

Zimerman, David E. (2001). Vocabulário contemporâneo de Psicanálise Porto Alegre: artes medicas.


domingo, 19 de setembro de 2021

Os Vínculos: Origem e Estruturação segundo a teoria Psicanalítica

Artigo científico escrito e publicado na Revista Científica Imperium da Emil Brunner World University - USA


Ernesto Friederichs Mandelli

Resumo

 

Psicanaliticamente pode-se pensar que o (a) casal/parceria se desprende do núcleo familiar, de onde se originam seus modelos, levando em conta o desejo dos diferentes sujeitos de uma família, de perpetuar-se no tempo através da transmissão do desejo de ter filhos, transformado no desejo de possuir uma família, mediante vínculo de aliança. A primeira dificuldade para a constituição do casal surge da dificuldade do mundo psíquico de cada um dos seus membros, derivada da resolução trabalhosa, difícil, nem sempre terminada, da separação de seus liames familiares. Este trabalho tem como objetivo realizar uma abordagem psicanalítica da gênese na formação e estruturação dos vínculos na terapia de casal seja heteroafetivo ou homoafetivo. Trata-se da origem dessas conexões estabelecendo-se bases e parâmetros de identificação de uma relação de parceria, abordando ainda as estruturas formadas pelos tipos de vínculos e seu funcionamento, especificando-se algumas de suas patologias e estratégias de fortalecimento da relação conjugal. A metodologia deste trabalho foi a bibliográfica. Pode-se concluir que construir um relacionamento fundamentado na liberdade e não no apego e possessão é essencial para o fortalecimento do casal. Saber disso é a base para uma relação de crescimento. Se o sujeito não tiver estrutura para aceitar o outro de forma adequada, um afastamento é inevitável; quando a parceria consegue manter o respeito à individualidade, estabelecendo um relacionamento de troca, é possível que a magia do encantamento inicial nunca se esgote. Ela se transformará, junto com as mudanças e o aprofundamento da relação.

 

Palavras-chave: Abordagem Psicanalítica; Vínculos; Terapia de casal.

 

1 Introdução

 

A Psicanálise, como sendo uma maneira de reflexão e prática, tenta entender e determinar o modo como se opera esta díade de dois sujeitos, baseada na relação de desejos e necessidades de cada um dos parceiros. Entra em cena para elucidar o que está por trás dos ornamentos do fictício.

Este trabalho visa sobretudo mostrar certos elementos que podem ser vistos durante a prática clínica psicoterápica de casais sejam hétero ou homoafetivos de base psicanalítica. Nele pretende-se verificar e discutir alguns pontos característicos à dinâmica do casal, pelo qual inicia-se uma família.

A Psicanálise é o nome de uma prática clínica que se refere a análise de pacientes adultos ou crianças, ou seja, daqueles “pacientes ditos individuais”, e que de uma prática metapsicológica se propõe a uma teorização das particularidades dessa prática clínica. A partir da década de 40, o saber tem sido aplicado a outros tipos de contextos: grupos, famílias e casais. Essas duas últimas categorias são designadas pelo nome de pacientes de vínculo.

Sob o viés psicanalítico o termo casal (matrimonial) qualifica uma estrutura vincular entre duas pessoas, a partir de um momento dado, quando estabelece um compromisso de fazer parte dela em toda a sua amplitude, possam cumpri-lo ou não.

O tema do casal tem inspirado poetas, escritores, cineastas, e alimenta conversas da vida cotidiana, sendo material para inumeráveis consultórios de psicoterapia, sejam de base analítica ou de base psicológica. Fazer a transição do estado de enamoramento para o estado de amor não é tarefa fácil para o sujeito. É necessário um intrincado e complexo trabalho mental, o qual será abordado nas próximas páginas.

Este trabalho tem como objetivo realizar uma abordagem psicanalítica da gênese na formação e estruturação dos vínculos na terapia de casal.

O tipo de pesquisa realizado (....) foi uma pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa e descritiva, no qual foi realizada uma consulta a livros, dissertações e a artigos científicos selecionados através de busca nas seguintes base de dados (livros, sites de banco de dados, etc.) “Biblioteca da FGV”, “Google acadêmico” e “Scielo”.

 

2 A origem dos vínculos

 

Ao longo dos 100 anos de existência da psicanálise, o surgimento de novas práticas clínicas foi sempre resultado da necessidade de resolver problemas que as modalidades terapêuticas tradicionais não permitiam abordar nem resolver. A prática analítica individual se caracteriza pela análise das representações e dos afetos governados pela lógica do princípio de prazer e dos derivados dos vestígios e inscrições das experiências precoces, aquelas mesmas que imprimiram suas marcas no aparelho psíquico e contribuíram para a construção do mundo interno, a partir da ausência do outro, quer dizer dos pais das crianças.

A partir dos anos 40, os analistas começaram, pouco a pouco, a acompanhar os pais das crianças e dos pacientes regressivos que tinham em tratamento, aqueles a cujo respeito se dizia que não se podia contar com seus Eu. Essas entrevistas transformaram-se depois numa verdadeira prática da terapia analítica familiar, o que permitiu rever sob novas perspectivas a relação com o Outro e com os outros, e desenvolver novas considerações metapsicológicas. (Berenstein, 2001. p. 186).

 

Ao longo da literatura psicanalítica, encontra-se o termo vínculo, de várias formas e com diferentes significados. Sempre se torna necessário juntar-lhe outra palavra, que possa ampliar a descrição de fenômeno para o qual está sendo utilizando. Na clínica psicanalítica este termo também é usado tanto para descrever a relação com o analista, como para as relações com os objetos internos. Bastante comum encontrar expressões como vínculo com o objeto interno, vínculo com o objeto externo, vínculo familiar, vínculo transferencial, relação de objeto interno, relação de objeto externo, e várias outras. Para tornar este trabalho mais claro e objetivo se faz mister conceituar os termos vínculo e relação.

 

Ambos os conceitos, vínculo e relação, recobrem uma área de problemas da teoria, que abrangem tanto a noção de ego e de objeto, como a difícil conceitualização dos limites entre o mundo interno e o externo, ou, em outra versão, entre o intra-subjetivo e o intersubjetivo. Um nível maior de complexidade se acrescentará, se incluirmos o nível do transubjetivo, mediante a inscrição inconsciente dos modelos socioculturais. Estabelecemos uma diferença entre uma relação objetal, como formação intra-subjetiva, intraterritorial em relação ao aparelho psíquico, e uma relação entre um Eu e outro Eu, características de extraterritorialidade, à qual chamamos de vínculo ou relação intersubjetiva. Chamaremos de relação transubjetiva a que é estabelecida entre um sujeito e o macrocontexto social. Como ademais a incluímos em uma estrutura emocional-relacional, dentro de um espaço que a contém, a chamamos de estrutura vincular complexa. Este enfoque nos permite reconhecer, o aparelho psíquico, diferentes espaços mentais (Puget & Berenstein, 1994, p. 17).

 

O termo vínculo, em português (Dicionário Aurélio Eletrônico 1999), se origina do latim e significa: tudo que ata, liga ou aperta; relação, subordinação e no sentido figurado ligação moral. A definição sugere a ideia de relação estável. Olhando para o viés do casal, este mesmo conceito pode ser utilizado com segurança, pois toda relação matrimonial parece estar associada à fantasia de ser estável no tempo e no espaço. Para este trabalho será usado o conceito dado por Bion, designando como uma experiência emocional.

 

Esse termo designa uma experiência emocional na qual duas pessoas, ou duas partes da mesma pessoa, estão relacionadas uma com a outra. Bion considera que pelo menos três emoções básicas são fatores sempre presentes em qualquer vínculo: as de amor(L), ódio(H) e conhecimento(K). Nos estados psicóticos, há um permanente ataque a todo vínculo com o analista: dos vínculos entre as partes diferentes do próprio paciente; e um ataque ao conhecimento das verdades penosas que estão contidas tanto na realidade externa como interna ( Zimerman, 1995, p. 67).

 

Durante o trabalho clínico a Psicanálise busca reconstruir a gênese psicossexual do individuo. Fundamenta-se a clínica na análise, sobre a dinâmica, a economia e a tópica intrapsíquicas. Durante este mesmo trabalho clínico desenvolvido ao longo da historia da Psicanálise, os estudiosos baseados nos trabalhos de Melaine Klein e Wilfred Bion, têm feito importantes contribuições como a postulação da "transmissão do psiquismo entre gerações", diferençando o que é da ordem da transmissão "intergeracional" e da "transgeracional".

 

2.1 Enamoramento

 

O início de um relacionamento é uma época singular. Apesar de o mundo continuar girando na mesma velocidade, para os parceiros apaixonados, as horas voam quando os dois estão juntos e duram uma eternidade quando estão separados. A rotina é dominada pelo sentimento da espera de um novo encontro.

Durante a chamada fase de encantamento, o casal está mais aberto e livre por não carregar a bagagem dos referenciais. Ambas as partes se expressam de maneira mais autêntica. O sujeito sente-se leve por estar sendo desejado apenas por aquilo que ele é.

 

O amor infantil é ilimitado; exige a posse exclusiva, não se contenta com menos do que tudo. Possui, porém, uma segunda característica; não tem, na realidade, objetivo, sendo incapaz de obter satisfação completa, e, principalmente por isso, está condenado a acabar em desapontamento (Freud, 1987, p. 21).

 

Um rosto, ou uma voz, ou uma maneira de olhar, ou um jeito da mão. O corpo estremece. É a paixão. O sujeito está apaixonado. Tudo acontece num exato momento. No início da relação deseja-se somente uma coisa: atuar as paixões. E atuá-las num clima de perenidade e alucinação primitiva, próprias do inconsciente.

Um só corpo, uma só mente, um alucinar junto para a satisfação dos desejos incestuosos. Um(a) é o pai que ela deseja apaixonada e ardentemente. O(A) outro(a\) é a mãe exclusiva pronta para satisfazer-lhe todas as necessidades e desejos. Nada de conversar, nada de reprimir, nada de simbolizar os afetos dominadores e ardentes. Somente a vivência das paixões.

Seja qual for o conteúdo da motivação para a escolha, seja ele mais primitivo ou mais atual, ocorre sempre um cruzamento no momento do encontro. Cruzamento este entre o passado e o presente de ambos envolvidos, e então se estabelece um ponto, uma unidade indivisível, um núcleo de vivência mútua.

Esta vivência, este núcleo que à primeira vista constitui-se de elementos irreconhecíveis, mas cujo produto final retira da percepção conflitos e angústias, remete os parceiros a um estado ilusório de completude (narcísica) (Lamanno, 1993).

Sob o viés psicanalítico, as afinidades encontradas entre dois sujeitos são ecos do passado e que reproduzem os primeiros amores. O que está sendo evocado nestes encontros é o conhecimento e o desejo de infância, isto é, a recuperação de versões anteriores do enamoramento do bebê pela sua mãe.

Da Psicanálise recebe-se a ideia de que todos buscam retornar a um estado ideal, livre de conflitos, separações, perdas, lutos, do tempo e da morte, exatamente igual a quando o bebê estava fusionado com a mãe. No inconsciente são guardadas sensações dessa vivência e das relações experimentadas com os pais, irmãos e com todos com os quais já houve um encontro ao longo da jornada de desenvolvimento.

O início do vínculo casal, fica registrado na consciência a partir do enamoramento (ou apaixonamento). Este vínculo torna-se um marco no processo que o ser humano realiza para superar a dor mental surgida no processo de separação ocorrida no nascimento e reforçada no momento da castração. Enamorar-se é ter acesso novamente à ilusão original representada pelo desejo de retornar a um estado ideal, livre de conflitos, um estado onde não exista a separação de corpos nem de indivíduos.

Em algum momento a vida, acontece que o cruzar com alguém, faz surgir esta sensação de completude novamente. É o enamoramento. Relação esta que o outro representará como a ilusão de readquirir o paraíso perdido. Se os parceiros forem saudáveis emocionalmente, entre encontros e desencontros das ilusões, irá emergir um relacionamento sólido e duradouro.

 

2.2 Vínculo Casal (Matrimonial)

 

Reconhece-se a tendência do ser humano a organizar sua vida vincular em estruturas, que vão de uma menor a uma maior estabilidade, segundo os psicanalistas Puget e Berenstein (1994). Para os mesmos autores os parceiros possuem elementos definitórios, que permitem referir-se a ele como uma unidade ou estrutura com alto grau de especificidade. A fim de diferenciar a relação diádica matrimonial de outras não matrimoniais, necessário se faz, definir parâmetros:

 

Toda pessoa disposta a constituir um vínculo de casal sabe, consciente ou inconscientemente, a partir dos modelos socioculturais, que isto implica certos elementos constantes e pressupostos que dão sentido ao campo do permitido, oposto ao do proibido. Por exemplo, o modelo sociocultural prescrito para casais inclui relações sexuais, as tenham ou não. Os parâmetros definitórios, embora providos a partir do mundo sociocultural, possuem registros no mundo psíquico, proveniente do infantil, onde se incorpora o modelo objeto casal, construção imaginaria constituída por três representações: uma proveniente da inermidade do sujeito infantil, em relação ao objeto reparador, estrutura relacionada originária; esta estrutura corresponde ao narcisismo primário, a denominamos de Objeto Único e dela ocuparemos pormenorizadamente mais adiante. Outra é a representação de um papai e uma mamãe, dos quais o bebê tem uma posição de exclusão. A terceira, uma representação social, é a de um contexto extrafamiliar, que inclui papai, mamãe e bebê, compondo um código e uma serie de sinais, que se referem à organização da estrutura familiar. (Puget & Berenstein, 1994, p. 6).

 

A estabilidade pode ser descrita de duas diferentes maneiras: como vida, com o predomínio de Eros, onde o ritmo de estabilidade torna-se um sustentáculo para o crescimento e a abordagem de novas situações; ou como morte, através da predominância de Tanatos, que se caracterizará como presença marcante de tédio e aborrecimento na vida do casal.

 

2.3 Os vínculos

 

Os parceiros construirão e manterão uma representação do vínculo, a partir de três modalidades de contado com o outro, as quais, por pressuposto teórico, todo ser humano constrói desde seu nascimento. São chamados de nível originário, nível fantasmático e modalidade ideativa.

 

O casal então é, como dissemos na definição, uma estrutura vincular entre duas pessoas, isto é, uma relação intersubjetiva estável entre um Eu e outro Eu, onde tem cabimento o mundo intra-subjetivo de cada um, e onde o vínculo, por sua vez, ocupa uma área diferenciada da estrutura objeta (Puget & Berenstein, 1994. p. 18).

 

O nível originário é o contato que se estabelece com o outro antes da capacitação da fala, é, portanto, incapaz de ser traduzido em comunicação verbalizada. Sem esta presença não seria possível o sustentar de nenhum vínculo. Este contato primariamente estabelecido através das sensações com contato corporal do bebê com o corpo da mãe (Outro primordial), inscrito indelevelmente no aparelho psíquico do sujeito e que se expressa através de um composto de imagem-emoção-sentimento evocado quando o Eu olha, ouve ou sente a presença de um outro externo. É a partir deste nível o Eu imagina a si próprio relacionado com um outro, sem solução de continuidade, fundido e desconhecendo os limites próprios e os dos outros.

O Nível fantasmático é uma modalidade vincular quando o Eu reconhece a existência de um outro Eu. A presença deste outro é marcada por um desejo do que quer que o outro seja. É uma construção baseada nas fantasias.

A modalidade ideativa ocorre a partir das palavras intercambiadas entre os parceiros, as quais estarão sujeitas a serem bem-entendidas ou mal-entendidas.

 

2.3.1 Vínculo adesivo

 

Este vínculo também chamado de narcisista dual onde predominam fantasias e emoções relacionadas com o medo de ficar isolado diante da ameaça de separação ou de perda do outro. Sua expressão é realizada através da fantasia de contato pele a pele, como se formassem apenas uma. Ocorre uma sensação predominante de solidão objetal, da qual se defenderão criando um vínculo dual para confirmar sua crença de uma disponibilidade permanente do outro.

Toda separação é registrada como falta de contato, evocando vivências de desespero ocorridas na primeira infância e registradas como inexistentes, ficando a mercê de um mundo interno hostil e deteriorado.

Com a finalidade de evitar estas sensações recorrem à censura ou a algum tipo de atuação que tendam a idealizar quantitativamente os momentos passados fisicamente juntos ou em contato permanente, por intermédio de ligações telefônicas ou mesmo com intuições da necessidade de um e de outro. Neste vínculo um Eu fará o papel de aderido e o outro, de buscador de aderência.

 

2.3.2 Vínculo de posse

 

Como no vínculo anterior, neste também ocorre a hegemonia do contato corporal e concreto entre os Eu, a fim de diminuir a distância dos dois sujeitos que compõem o vínculo. Os papéis representados são o do possuído e o do possessivo, e eles são realizados com o objetivo de diminuir as angústias do reconhecimento das diferenças.

Neste vínculo possuído-possessivo, os controles visual e auditivo, são os meios usados para anular o afastamento. Esta circunstância é o resultado da persistência de uma modalidade de enamoramento, chamada amor à primeira vista, onde a imagem visual é priorizada para fugir da sensação de perda. Igualmente, é o produto de intensos sentimentos de perseguição dessa forma controlados, e mostrando com isto a não solução da posição esquizoparanóide.

2.3.3 Vínculo de controle

 

Este vínculo parte do princípio pelo qual os parceiros devem ocupar os mesmos lugares, embora tolere uma maior diferenciação e discriminação entre eles. As angústias se originam da castração e despedaçamento experimentados pelo Eu. Os papéis desempenhados são o do controlado e o do controlador.

As angústias precisam ser controladas através da existência de uma pulsão de domínio, exercida com o fim de garantir a saída da solidão ou do desamparo, através de uma ação direta de manipulação do parceiro a fim de garantir o amparo por parte dele. Isto pode ocorrer de várias formas, o intercambio econômico, por exemplo, e o das relações sexuais, controlando o próprio prazer e o do outro.

 

2.3.4 Vínculo amoroso

 

Os papéis desempenhados pelos participantes aqui são o de ser amado e o de amar. Os afetos que se fazem presente são originados pela resolução adequada do complexo de Édipo e também, da fase oral, da qual emana a capacidade de gratidão, base para o amor, ternura e carinho. Nele percebe-se interesse pelo outro e a existência da reciprocidade entre os sujeitos que compõem o vínculo.

A seguir serão apresentadas as modalidades que os vínculos poderão estruturar-se. Pode-se, a partir da compreensão da tipologia, explicar tanto os observáveis como sua significação inconsciente. Será definido em cada estrutura, o conector, sua modalidade característica e sua qualidade determinante do tipo de interação entre os dois sujeitos.

Conector é uma condição necessária para explicar porque dois sujeitos conseguem manter de maneira estável uma relação de casal/parceria, e entender aquilo que os une, assim como, depois de seu fracasso, aquilo que os separa.

O grau mínimo de posições e de ligações para que seja possível a existência de um casal/parceria será denominada estrutura zero. Ela permitira estipular as posições e suas qualidades de parceiros e o conector que atua como o terceiro elemento vinculante (Puget & Berenstein, 1994, p. 20).

 

2.4 Estrutura Um: Dual

 

Nesta estrutura o vínculo tipo fusão predomina através da idealização mútua de algum componente. Existe uma sensação de exclusividade, os sujeitos se bastam, isto é, são a fonte de toda a satisfação.

 

Pode existir uma relação de simetria, à qual chamaremos de gemelaridade, ou de assimetria estável, que chamaremos de complementaridade, com base no conceito de vínculo, com o modelo de Objeto Único. Cada uma delas poderá dar lugar à constituição do casal, a partir da modalidade fundante do enamoramento, seja qual for o seu destino (Puget e Berenstein, 1994, p. 34).

 

Na relação de simetria, denominada de gemelaridade, a junção do casal é mantida através do processo de idealização. Os participantes se percebem com uma pequena quantidade de diferenças. Quando esta simetria apoia-se em Eros, o princípio do prazer, os sujeitos buscam a fusão por desejarem ser um só. Como a representação de cada componente do vínculo dá-se neste nível de erotização, tem-se o desejo de um ser a imagem refletida (especular) do outro, daí o conceito de gêmeos (gemelaridade).

Por vez quando o tipo gemelaridade se apoia em Tanatos, seu símbolo é um permanente estrado de frustração. A relação está dominada por funcionamento narcisista, mantidas as fantasias de fusão e dependência máxima, porém agora produtoras de mal-estar. Cada um dos participantes está ligado (conectado) com seu objeto imaginado, buscando manter-se afastado de tudo aquilo que venha inutilizar sua ilusão de posse.

Neste enleio circulam afetos de desprezo e críticas, mas mesmo assim ficam presos um ao outro, para poderem demonstrar mutuamente suas falhas. Este fato atende a uma urgência compulsiva de apontar qualquer traço do outro que seja diferente do objeto imaginado. Existe uma dependência adesiva, isto é, nem juntos, nem separados, mas sempre presentes um para o outro.

Complementaridade enlouquecedora é uma modalidade de vínculo assimétrico estável, e pode assumir, total ou parcialmente as seguintes características: os afetos são da ordem da violência, irritação e hostilidade; as relações sexuais são de nível pré-genital; a tendência monogâmica não é conflitiva; a cotidianidade é satisfatória; o projeto vital está sujeito a desacordos ou, ao contrário, a uma submissão total, com redução do projeto de dois ao de um só. Neste elo pode ser encontrado em maior ou menor grau as seguintes disfunções:

a)      Disfunção temporal, que tende a evitar qualquer tipo de mudança no cotidiano, nas relações sexuais, no projeto vital, pois costumam confundir imobilidade com estabilidade;

b)      Disfunção semântica (mudanças ou translações sofridas, no tempo e no espaço, pela significação das palavras), ocasionada pela imposição de uma única significação das palavras usadas na comunicação dos sujeitos participantes do vínculo. Isto é conseguido por intermédio da violência, ataques ao pensamento e confusão, motivados pela impossibilidade de aceitar o diferente. As mensagens trocadas pelos participantes costumam ser contraditórias, produzindo uma relação baseada no enlouquecimento e confusão.

 

2.5 Estrutura Dois: Terceiridade Limitada

 

Nesta estrutura ocorre a presença de um terceiro, que ocupa um lugar de excluído em diferentes posições. A dualidade indiscriminada da estrutura anterior é provocadora de uma sensação de angústia muito grande que é buscada amenizar pela presença de um terceiro, um filho, por exemplo. O seu funcionamento ocorre em modalidades diferentes.

 

2.5.1 Funcionamento pervertedor-pervertido

 

O que o caracteriza é a predominância da transgressão de valores. Está baseado em um certo tipo de indiscriminação, em intercâmbios sádicos e súbitas mudanças que ocorrem entre os componentes do vínculo. É um funcionamento onde o corriqueiro é transgredir tudo aquilo que sejam regras ou que sugiram normas.

Neste funcionamento a sexualidade é pré-genital, tortuosa e insatisfatória. O cotidiano é representado por súbitos desencontros e encontros idealizados. O projeto vital, em seu conteúdo manifesto, muitas vezes é a separação, mas, em seu conteúdo latente, inclui a possibilidade de conservá-lo.

O terceiro ocupa permanentemente um lugar de excluído. Sua função é o de ser impotente testemunha ocular de um quadro de maus-tratos e transgressões, ou testemunhar fascinado uma cena amorosa entre os parceiros. Este elemento pode ser presente ou ser um produto da imaginação, mas a cena sempre é representada para outro (s). O interno e o íntimo são exibidos e os de fora e externo são escondidos. O segredo é público.

 

2.5.2 Funcionamento enciumante-ciumento

 

A peculiaridade é que tem uma aproximação muito grande com o perverso no que se refere a erotização de uma situação a três, na qual um dos dois parceiros está situado no excluído e pendente da relação do outro, fusionado com um terceiro,

O terceiro (Eu externo) tem o imprescindível papel, de compor um triângulo onde é criada a cena de uma relação maravilhosa entre um dos parceiros e ele, cuja maior fonte de prazer será a exclusão do terceiro Eu. Este prazer não é genuíno, mas um prazer associado ao sofrimento do outro marcado pelo ciúme.

 

2.5.3 Funcionamento tipo hiperdiscriminação

 

A particularidade é existir por parte dos parceiros uma grande dificuldade de compartilhar. É uma defesa contra um vínculo dependente, o qual provoca uma vivência aterrorizadora. Cada parceiro, resultante de angústias paranoides, tem a sensação que esta sendo despojado ou devorado pelo outro, e ao qual é imprescindível se mostrar diferente do que ele promovendo constantemente desacordos e manifestos de independência.

Para que os dois sujeitos possam sentir-se tranquilizados dentro do isolamento buscado, ocorre uma hipertrofia de alguns parâmetros a fim de estabelecer uma conexão. O cotidiano estará cheio de obstáculos, pois os gostos, horários e formas de impor ordem ou de conceber a organização espaço-temporal da vida serão divergentes.

O projeto vital será resultado da superposição de dois projetos individuais que, algumas vezes, podem coincidir, embora sempre apresentarão alguma marca que informa o diferente. No caso do terceiro (o filho), ele é registrado mentalmente como filho de cada um. Ele é imaginado por cada um dos parceiros com aliado diante do outro, não para despertar ciúmes, mas para afirmar a independência.

A tendência monogâmica não é tolerável no momento que surge a angústia devida ao compartilhar e a seus componentes de fusão. As relações de amantes são toleradas para confirmar a autonomia, sendo usado um sistema defensivo chamado racionalização, segundo o qual é possível ter várias relações simultâneas.

As relações sexuais são escassas e geralmente insatisfatórias. No nível das fantasias, as relações sexuais, não são resultados do desejo de um pelo outro, mas de uma relação registrada como masturbatória compartilhada. O outro é utilizado como um objeto necessário, mas não fazendo parte de um corpo inteiro ou de um objeto amoroso.

O Objeto Único está carregado por uma valência negativa, ameaçadora e frustrante. Guarda semelhanças com o funcionamento narcisista da gemelaridade tanática.

 

2.5.4 Funcionamento inibidor-inibido

 

Na categoria estarão presentes, com menor intensidade, todos os mecanismos anteriormente descritos, o que modificará a sua qualidade. Nele são reconhecidas tanto as inibições, como o mal-estar, fazendo com que algumas dificuldades, que podem ser sanadas pelo processo de psicanálise, encontrem-se presentes em todos os parâmetros.

Os sujeitos envolvidos não costumam falar em separação, pois sentem que se amam, embora lhes seja difícil encontrar sozinhos novas perspectivas para uma situação sofrida.

 

2.6 Estrutura Três: Terceiridade Ampla

 

Os parceiros possuem a capacidade de representação de si mesmos. Com isto tem-se um processo sinergético, onde o resultado se torna maior que a soma dos sujeitos.

 

Nesta estrutura vincular existem duas mentes discriminadas. Ambas possuem uma representação interna do outro, configurada para que não seja preciso referir-se permanentemente ao outro, para se sentir incluído. A linguagem adquire seu sentido paradigmático de código e valor de comunicação. Está aberta a possibilidade de desfazer as incógnitas ou os mal-entendidos criados por uma captação exata da existência de um outro diferente ego, sem o despertar de angústia insuportável (Puget & Berenstein, 1994, p. 47).

 

O compartilhar adquire seu valor mais completo, o de trocar significados diferentes a respeito do comum, construindo um código e podendo realizar uma série de recortes compartilhados sem medo de perder o vínculo. Os desacordos ou diferenças se tornarão estímulos para a colocação em andamento de um processo no qual surgirá a possibilidade de ampliação e fortalecimento do vínculo, que será resultado da articulação das diferenças, o que popularmente é chamado de “discutir a relação”.

O projeto vital compartilhado inclui o aparecimento de um terceiro, admite sentimento de exclusão, mas não possui o caráter abundante e exagerado dos vínculos anteriormente descritos. As relações sexuais permitirão uma elaboração genital da relação de Objeto Único que levará ao processo de passagem para o Objeto Unificado. As relações sexuais mesmo não seguindo um curso sempre igual, alternam-se com períodos nos quais podem ou não corresponder ao mesmo nível simétrico de desejo dos parceiros.

 

3 Resultados e Discussões

Transmitem-se as vivências psíquicas dos que antecederam o individuo geracionalmente, a partir, evidentemente, dos pais. O "intergeracional" é aquilo que foi transmitido devidamente simbolizado e representado, de modo que pode ser retomado, reelaborado ao nível de grupo familiar e vincular, individualmente. O "transgeracional" é aquilo que foi transferido sem ter sido devidamente representado, simbolizado, impossibilitando sua reelaboração posterior tanto pela família quanto pelo indivíduo. São comunicações como imagens em "negativo". Esse último tipo é especialmente característico de famílias onde surgem psicóticos (Prado, 2000). No espaço intrasubjetivo o foco é posto na distribuição do mundo interno, nas constelações auto engendradas das relações do sujeito com os objetos, em um tipo de espacialidade própria, onde predominam as representações e os afetos ligados a elas. Nele acontece uma relação chamada de intrasubjetiva que conterá os registros no mundo interno, dos objetos com os quais o Eu mantém diferentes tipos de ligação.

Berenstein (2001) designa assim uma estrutura inconsciente que, ligando dois ou mais sujeitos, instaura entre eles uma relação de presença ao criar uma investidura específica que os constitui como sujeitos do vínculo. Nessa situação encontram-se dois mecanismos: a identificação considerada como o desejo de ser como o outro enquanto origem de uma oferta identificadora; a imposição considerada como o dever de ser como este outro que imprime uma marca inédita.

Na relação amorosa, fica configurado um contexto compartilhado, no qual o mesmo Eu é objeto de desejo e foco de desejo. Durante o enamoramento, as exigências contextuais estão focadas em bases diferentes dos períodos seguintes da relação. Na vida do casal, a antecipação do futuro e a inclusão da temporalidade na estrutura compartilhada, é o resultado do projeto vital.

 

É formulado com base nas experiências realizadas e em função da avaliação dada pelo princípio da realidade. Inclui repetições de fontes de prazer, bem como condições ligadas ao desconhecido. Partem de uma suposição, isto é, de que o sistema de opções entre os membros do casal irá levá-los a conservar e criar uma ordem de acontecimentos cada vê mais complexos e de maior crescimento mental (Puget & Berenstein, 1994, p. 143).

 

Nos casais/parcerias cuja evolução inclui o reconhecimento do outro, como objeto diferente, a busca da fonte de desejo, leva implicitamente, à aceitação da necessidade de utilizar indicadores e signos adequados. Para o estabelecimento de uma parceria, é imprescindível que ambos tenham a capacidade de diversificar os signos, o que em geral se produz na passagem da etapa do enamoramento para a relação de objeto-objetiva. O germe do mal-entendido é não poder realizar essa função significante, o que remete a uma angústia confusional primitiva.

Desde o momento da escolha baseada em aspectos conscientes e inconscientes, os parceiros sistematizam um conjunto de regras com as quais estruturam uma linguagem conhecida e entendida entre eles. O idioma singular é constituído por termos corporais e intercâmbios de significados, códigos e palavras. A diferença entre a representação de palavra e a representação corporal é forçada, pois em todo vínculo com tendência ao crescimento, a palavra intercambiada se apoia na representação corporal; pode-se afirmar que o corpo dos que se amam falam entre si.

 

4 Conclusão

 

Ter que lidar com o fato de serem dois sujeitos distintos sempre é complicado. Quando se está apaixonado, o outro é o bem total, e o Eu nem é digno de tanta perfeição. Esse sentimento vem de quando o bebê está faminto e se debate pelos cuidados da mãe ou sua sucessora atendê-lo cessando a fome e o desespero; isto deixa uma sensação de enorme prazer e gratidão com a mãe, até a seguinte mamada, quando tudo se repetirá.

É essencial reconhecer as distinções entre os componentes do vínculo. A diferença é trabalhosa, mas é muito mais instigante. Um dos parceiros que tem suas experiências profissionais, seus relacionamentos de amizade, suas opiniões, tem muito mais a oferecer no casamento do que aquela que só tem olhos para o outro. Quem dá muito tem a tendência de fazer cobrança intensa. Um sujeito que vibra com as próprias coisas e um outro que tem diversas fontes de satisfação têm possibilidades de tornar seu vínculo inovador. Porque diferentes são todos e também são sedentos de amor.

Construir um relacionamento fundamentado na liberdade e não no apego e possessão é essencial para o fortalecimento do vínculo. Saber disso é a base para uma relação de crescimento. Envolvidos pela magia do enamoramento, muitas pessoas acabam esbarrando no que Freud denominou "amor narcisista". Facilmente o sujeito cai na armadilha do "amor como reprodução". Este fenômeno é provocado pela projeção de um indivíduo no outro. É amar no outro a própria imagem, ou as características que gostaria de ter.

Este comportamento diminui as chances de a pessoa permanecer no estado amoroso, pois mais dia, menos dia, acorda e percebe a ilusão criada por sua própria fantasia. É o instante em que a cortina cai e o outro é visto sem as vendas de quem está tomado pela poção do amor.

Para construir uma relação são necessárias três etapas que devem ser vencidas; cada uma dela exige muitas vezes um trabalho psíquico com o qual os componentes do vínculo não foram aparelhados nas suas fases primordiais do seu desenvolvimento emocional.

a)      Enamoramento - quando o outro é tudo! É uma fase muito útil para casar-se;

b)      Descoberta - quando se descobre que a outra pessoa não é exatamente aquilo que se esperava. Esperanças e alegrias coexistem com as decepções e tristezas;

c)      Maturidade - quando se percebe o valor do outro como ele é e não como poderia ser. Tolerância e companheirismo.

 

O tempo de duração do estado prazeroso de descoberta, só depende da forma como se vai lidar com os aspectos reais, menos românticos do outro. O mar de rosas do primeiro momento se revela um oceano complexo, cheio de inseguranças, possíveis neuroses e dúvidas.

Se o sujeito não tiver estrutura para aceitar o outro de forma adequada, um afastamento é inevitável; quando o casal consegue manter o respeito à individualidade, estabelecendo um relacionamento de troca, é possível que a magia do encantamento inicial nunca se esgote. Ela se transformará, junto com as mudanças e o aprofundamento da relação.

 

Referências

 

Berenstein, Isidoro. (2001). Reflexão sobre a psicanálise do vínculo – in André Green (Org) Psicanálise contemporânea – Revista Francesa de Psicanálise.

Freud, Sigmund (1987). Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago Editores.

Lamanno, Vera Lúcia. (1993). Repetição e transformação na vida conjugal. São Paulo: Summus Editorial.

Levisky, Ruth Blay. (2014). Diálogos Psicanalíticos Sobre Família e Casal. As Vicissitudes da Família Atual – Volume II. Rio de Janeiro: Editora Zahar.

Isabel Cristina GomesMaria Inês Assumpção FernandesRuth Blay Levisky e outros (2016). Diálogos Psicanalíticos sobre Família e Casal. São Paulo: Editora Escuta.

Isabel Cristina Gomes. (2007). Uma Clínica Específica com Casais: Contribuições Teóricas e Técnicas. São Paulo: Editora Escuta.

Magdalena Ramos, Isabel Cristina Gomes, e outros (2018) Psicanálise de Casal e Família: Desafios Clínicos e Ampliações Teóricas. São Paulo: Editora Escuta.

Puget, Janine & Berenstein, Isidoro. (1994) Psicanálise do casal. Porto Alegre: Artes Médicas.

Puget, Janine & Berenstein, Isidoro. (1997) LO VINCULAR: Clínica e Técnica Psicoanalitica. Buenos Aires: Paidós Editorial.

Prado, Maria do Carmo Cintra de Almeida. (2000). Destino e mito familiar. São Paulo: Vetor Editora Ltda.

Zimmermann, David E. (1995). Bion da teoria à prática. Po